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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

No céu escuro

No céu escuro
Onde habita a lua
Onde o céu é preto
E a noite é tua.
Conta a lenda,
Uma nova história,
Um novo mundo,
Uma outra vitória.
E nas palavras ditas
E por ti transcritas
Descreves um mundo perdido
Num tempo esquecido.
Do lápis que seguras
Linhas soltas são escritas
E a borracha apaga,
As palavras
Que não querem ser ditas.

07/12/2003
Susana Cunha, Caderno nº 39

Lamúrias

Eu não soube aproveitar
O tempo para contigo estar
Deixava sempre para o amanhã
Tinhas razão para me deixar
Para quê estas lamúrias
Quando eu já te perdi
Quando não soube agarrar
A oportunidade para te amar.
As lágrimas voam do meu rosto
Elas querem-te encontrar.
Mas elas não te trazem de volta
Pelo contrário,
Só fazem a saudade aumentar
E pensar no tempo perdido
Com coisas fúteis
E com coisas inúteis.
Diz-me como te trazer,
Como deixar de sofrer
Ou como deixar de te querer.
A liberdade voou da minha mão
Deixando toda a solidão.
Serei que irei ficar assim,
Caminhando para um só fim?!
Ou será que amanhã
Já estarás junto de mim?!

01/12/2003
Susana Cunha, Caderno nº 39

Solto

Abre a porta,
Por onde te escondes
E corta essas amarras!
Liberta-te do sofrimento,
Livra-te desse tormento.
Não ficaste mais solto?
É bom ter de novo movimento,
Voltar a correr desalmadamente
Por este Mundo intransigente.
Não mais voltes e sorri.
Sorri, sorri
Para quem sorri para ti.
E ri, ri
Para quem rir de ti!
Sim, porque tu és livre,
Quando os outros não o são.

27/09/2003
Susana Cunha, Caderno nº 39

Prisioneiro

As tuas asas foram cortadas
Já não podes mais voar,
À realidade te trouxeram
Não te deixam mais sonhar.
E enquanto baloiças na cama
O soluçar, a voz que te chama
E as lágrimas do teu olhar,
Não te conseguem deixar.
Por isso, manténs os olhos abertos,
Quando queres adormecer.
E quando vês o dia amanhecer,
Queres estar onde te apetecer
Sem que ninguém te diga
Aquilo que deves ou não fazer.
A alegria de viver,
Deixou o teu triste ser,
Em seu lugar ficou,
A tristeza que te amuou.
Pagas o preço dos teus actos,
Estás prisioneiro nos teus retratos
E de tudo aquilo que não amas-te.
Já não podes mais fugir
De tudo o que te está a perseguir.
Baloiçando na cama devagar
Vês uma noite mais chegar,
E o tempo para ti passou devagar.
Mais um dia se passou

A expressão do teu olhar mudou,
As lágrimas dos teus olhos secaram
E os soluçares, acabaram.
A revolta apossou-se de ti,
Não sabes viver sem liberdade
Enlouqueces de raiva,
Gritas de saudade, ...
... E no fim, o grito do silêncio.
Já não estás mais prisioneiro,
Pois a tua alma partiu pelo ar
Ficou livre e começou a voar.
No chão o teu corpo ficou
Para que os outros
O continuassem a aprisionar.

20/06/2003
Susana Cunha, Caderno nº 39

Quem sou eu

Quem sou eu para contrariar,
Quem sou eu para amar,
Quem sou eu para dizer,
Com quem tu deves andar!
Não sou ninguém na tua vida
Nem nunca pretendi ser.
Só espero que tu me digas,
Tudo o que tens para me dizer.
Não importa que tu grites,
Desde que tu fales comigo!
Não importa que me repudies
Estarei sempre contigo.
E se por fim tu quiseres
Seguir com o teu destino
Vou-te deixar partir
E ficarei a ver-te ir.

25/05/2003
Susana Cunha, Caderno nº 39

Como vou fazer

Como vou fazer,
Para tu me olhares,
Querer me conhecer,
Para em mim te despertares!
Queria poder dizer,
Que te espreito pela janela
Todos os dias ao anoitecer,
Estando a luz apagada ou acesa.
Quando um dia não estás,
Em mim habita a tristeza
Pois já não te verei com certeza.
Enfim, consigo viver
Sem ti durante o dia.
Mas se disse-se que à noite
Não te esperava, mentia.

03/01/2003
Susana Cunha, Caderno nº 39

Porque não?

Dizem que sou romântica
E porque não!?
Se acredito na paixão

Dizem que sou teimosa
E porque não!?
Se acho que tenho razão.

Dizem que sou sonhadora
E porque não!?
Se acredito na ilusão.

Eu só sou eu mesma, sim!
E porque não!?
Se eu nasci assim.

31/07/2000
Susana Cunha, Caderno nº 39

Sentada te esperei

Sentada te esperei
Mas não te alcancei.
Quando passei por ti,
Tu já não estavas ali.
Passei uma vez mais
E mesmo assim não te vi!
Quando te encontrei
Já era tarde demais,
Em mim nunca estiveras
E já não estarias mais.

30/07/2000
Susana Cunha, Caderno nº 39

A voz...

Por entre murmúrios
Oiço a voz do canto
É neste sentido que mergulho
Para alcançar o meu espanto!
Nado em busca da resposta
Procuro-a sem parar
Quero mesmo alcançar
A voz que me chama sem parar.
A escuridão apodera-se do meu olhar
Do longe só se vê o imenso luar.
A voz que me chama
Parou de murmurar
Intensificando a sua forma de me chamar.
Estou cansada, fico de mala posta,
Já é tarde, aqui vou ficar
Mas a voz não me para de chamar
Que hei-de de fazer?
Não vou ficar aqui a morrer!
Levanta-te e procura,
A voz que te chama é o sonho
Que eu quero alcançar.

09/06/1999
Susana Cunha, Caderno nº 39

Corre sem medo...

Sozinha vai, vestida de branco
Percorrendo a escuridão
Iluminada pelo fogo
Que trás luz ao seu coração.
Corre sem medo por estes caminhos.
Seus cabelos soltos vão,
Seu olhar preso está
Ao chegar ao destino
Perdido e tenso
No olhar do seu caminho.
Corre sem medo,
Corre vestida de branco.
Corre, corre
Sem nada temer
Não tem nada a perder
Nada a impede de correr.
Voa seu vestido branco
Corre, corre sem parar
Tanta pressa no seu olhar.
Rapariga de cabelos soltos
Que corres sem medo,
Nunca pares de sonhar

18/06/1998
Susana Cunha, Caderno nº 39

A noite cai...

Silêncio profundo
Neste meu mundo,
É a noite que cai.
São horas de deitar,
Adormeço o corpo,
A minha alma vagabunda.
É então que sonho
Um mundo só de fantasias
Um mundo esse que afinal,
Não passa de um outro igual
Ao quarto do meu mundo.
Podes fechar os olhos
Descansar, imaginar, sonhar...
É tão bom quando a noite cai
E sob o meu mundo,
Fica um silêncio profundo,
Um silêncio profundo.

18/03/1998
Susana Cunha, Caderno nº 39