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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

É este o silêncio

É este o silêncio
Das palavras por dizer ...
Límpidas!
Correndo velozes
pelo rio do pensamento,
de águas turvas,
que vai desaguar
neste imenso mar
que tenho dentro de mim!
Prenhe de contidas emoções,
sentimentos sofridos,
presos numa alma que vagueia sem rumo
à procura dos sonhos de hoje
que do presente fugiram
ao passado regressaram
no futuro se refugiaram.
Frágil ilusão de felicidade,
ausente desse teu olhar
que insiste em
não me compreender.
Mas, vem ...
Vem até meus braços!
Receber-te-ei ...
uma e outra vez,
de olhos vendados,
com este corpo já cansado
de espírito rejuvenescido,
fremente de paixão.


Minda, Caderno nº 3

Ontem

Ontem,
parei no tempo!
Para me encontrar...

Fechei os olhos,
e comecei a sonhar!

Hoje,
Encontrei-te a meu lado!

Paixão escrita no vento
Amizade sem igual.

E na esquina do teu olhar
(de mil ilusões construído)
acabei por me perder.

Quero muito contigo estar
mas preciso livre ser
coração sem amarras, pode amar
na prisão...
acaba por morrer!


Minda, Caderno nº 3

E é esta paixão ardente

E é esta paixão ardente
Que me faz ficar doente
O impossível pretender
De desejo quase morrer.

E é esta enorme vontade
De em teus braços estar
Que a minha pele acaricies
De prazer me faças gritar.

E é esta forte atracção
De teus lábios beijar
Que me faz perder a razão
Por tanto te desejar.

E é este sonho incrível
De teu corpo explorar
Sensação tão apetecível
Que mesmo na tua ausência me faz suspirar.

E é esta loucura total
Que me dá força para viver
Embora receie seja fatal
Se nalgum dia te perder.

E é esta doce ilusão
que transforma a crua realidade
me aquece a alma, o coração
e fortalece esta nossa AMIZADE!


Minda (1992), Caderno nº 3

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Manhãs claras

Na nudez dos sonhos
despidos de esperança
procuro a verdade insofismável
da tua ausência.
E quase esqueço
a pérfida clareza dos dias
em que,
tendo-te a meu lado,
vagueei solitária
pelas manhãs claras
e me perdi
no escuro dos caminhos!


Minda, Inédito

Minda

Ermelinda Toscano (Minda), nasceu na Trafaria, em 1959 e, actualmente, reside em Cacilhas. É licenciada em Geografia e Planeamento Regional com pós-graduação em Gestão Autárquica.
É funcionária Pública desde 1987 e exerce funções na Assembleia Distrital de Lisboa como Directora dos Serviços de Cultura.
É Vice-presidente da SCALA – Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada e faz parte dos corpos gerentes da Associação de Cidadania de Cacilhas – O FAROL.
Dirigiu O Sabor das Palavras (edição em papel e on-line) uma fanzine trimestral distribuída no C@fé com Letr@s, em Cacilhas, de cujo projecto cultural foi autora e no âmbito do qual concebeu e coordenou a colecção Index Poesis a qual incluía os cadernos Uma Dúzia de Páginas de Poesia onde publicou, também, alguns dos seus poemas no n.º 3.
Participou na colectânea poética Vidas na Corda Bamba (2005).
Coordenou a antologia de poetas almadenses Alma(da) Nossa Terra, editada pela SCALA em 2006 para comemorar o Dia Mundial da Poesia, um volume que colige 250 poemas de outros tantos autores.
É autora do blog Infinito’s (http://metoscano.blogspot.com) onde publica artigos de opinião, poemas e fotografias, e é a grande dinamizadora do blog Poetas Almadenses (http://poetas-almadenses.blogspot.com).
Membro da Assembleia de Freguesia de Cacilhas (mandato 2005-2009), mantém um blog informativo sobre a sua actividade naquele órgão autárquico: Fazer Melhor Por Cacilhas (http://be-cacilhas.blogspot.com).